Para não reajustar aposentadorias, Dilma baixa MP corrigindo mínimo

A proposta de editar a MP estendendo a correção do mínimo foi
patrocinada pelo PMDB e contou com o apoio do presidente da Câmara,
Eduardo Cunha, que concordou em retirar da pauta de votações a proposta
que beneficiava aposentados. A atitude de Cunha irritou deputados da
oposição.
Dilma nega atropelar o Congresso
Tanto a presidente Dilma quanto Cunha disseram que a MP é importante em
razão das comemorações do Dia do Trabalho, em 1º de maio. No discurso,
Dilma disse que foi a base aliada quem sugeriu a edição da MP, e que não
está atropelando o Congresso:
- Tradicionalmente, sempre foi o Executivo que enviou as medidas
provisórias de valorização do salário mínimo. Não estamos atropelando
nada nem ninguém, estamos exercendo uma coisa que é característica do
governo: a iniciativa de algo que gera despesa.
Duas horas antes da cerimônia, o ministro Miguel Rossetto, da
Secretaria Geral da Previdência, convidou os presidentes das principais
centrais sindicais para o evento. Como estavam em Brasília para
convencer parlamentares a alterar as medidas dO ajuste fiscal, foram ao
palácio os presidentes da Força Sindical, Miguel Torres, da CUT, Vagner
Freitas e da Nova Central, José Calixto Ramos. As demais enviaram
representantes.
Miguel Torres disse que a MP apenas adia o problema, pois as centrais
vão continuar defendendo uma política de recuperação salarial para
aposentados.
A oposição reagiu à decisão de Cunha de retirar de pauta a proposta que
garantiria o aumento real para aposentados que ganham mais que um
mínimo. O projeto começou a ser votado em março e só faltava o destaque
dos aposentados.
- Acho que começou a lua de mel dele (Cunha) com o PT e o governo.
Espero que seja amor passageiro. Deixa a relação aqui tensa. Editar essa
MP sobre projeto que estamos votando é desprezo pelo Legislativo -
criticou o líder do DEM, Mendonça Filho (PE).
Cunha negou ter cedido à pressão do Planalto e disse que foi ele quem
tomou a iniciativa de votar o projeto, de autoria da oposição.
- A MP chegando na Casa, podem fazer emendas. E se o Planalto editou a MP é porque a gente pautou a Casa com esse projeto.
A política de reajuste do salário mínimo, que vigora sempre a partir de
janeiro, é composta pela reposição da inflação e o resultado do PIB nos
dois anos anteriores (de 2003 até agora, o mínimo teve valorização de
70%). Os benefícios previdenciários com valores superiores ao salário
mínimo são corrigidos apenas pela INPC.
Anteontem à noite, a ideia de propor a edição de uma MP foi discutida
por Cunha e pelo líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), com o
vice-presidente Michel Temer, que ligou para Dilma e falou sobre a
proposta. Na reunião de líderes, ontem, Picciani defendeu a ideia e
obteve apoio dos demais líderes aliados.
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